Tenho receio de expor minha opinião para quem quiser saber. Alguém certamente vai ficar chateado. Hoje é o dia mundial do Foda-se, então, foda-se. Eu não consigo entender a música que parece um caminhão subindo a Augusta, não sei a diferença de
house e
psytrance, mas com o tempo consegui notar o que pode parecer legal. Costume forçado pelo ofício.
Cada um desses festivais, a única coisa que me interessa saber é quem vai comigo e que bebida vou querer; geralmente não gosto de nenhuma atração (vide meu lastfm). Este
Tim Festival ta me matando, são muitos dias. A minha companhia ideal só volta em novembro. Não quero pensar em steps, não é o caso. A bebida: duas cervejas e depois uma vodka com energético (não, não passo mal fazendo misturas).
Fui ontem sabendo apenas do
Marcelo Camelo; queria ir. Tentei ser normal e escutar previamente o trabalho. Achei boring, caiu apenas duas musicas no meu ipod desse álbum
Sou (Nós).
Ok, cheguei e ouvi uma voz feminina. Sentei e era bossa-nova nova, nada de releituras. Achei meio audaz criar uma algo bossa-nova. Será q ela mesma q compôs? Alias, como ela chama? Peguei o convite e li
Roberta Sá, deve ser ela. Li também
Arnaldo Antunes! Adoro, já fui a umas 3 ou 4 apresentações dele, mas a performance de palco me cansa. Aquele eterno existencialismo urbano concretista também. Mas ele é parada de sucesso no meu lastfm, é o melhor Arnaldo Antunes do estilo Arnaldo Antunes.
Roberta Sá está quase no gosto popular. A cara da Paloma Duarte na época da Playboy, um jeito de quem não bebe, não fuma e nada. Parecia uma aluna da FAAP. Mas não, ela disse Maracanã em algum momento, deve ser do Rio. Só pode, uma menina de SP não teria um ar de menina virgem. Virgem? Sim, ela usava batom rosa e um vestido do mesmo tom, desse jeito meio retrô que tá na moda; cinto no meio da barriga, sei lá. Um vestido que
Amy Winehouse usaria aos 12 anos. Nossa, o salto dela é rosa também! Agora que me toquei, ela sabe andar de salto-alto muito bem, estava muito a vontade como se estivesse calçando um All Star. Parabéns, a única cantora de MPB que sabe andar de salto-alto. Imaginei uma wannabe
Mariana Aydar. Mas é diferente. Seria o CD ideal para a
Maria Rita gravar no lugar de
Segundo. Nenhuma música vai cair facilmente na mão do povo, só se for tema de alguma novela, aí sim. A Globo pode de ajudar, fia.
Ela canta com a mesma vontade da
Ana Carolina. Distanciando um pouco, tentei lembrar de algum cantor famoso com o sobrenome Sá, ela tava meio mimada ao estilo “filho de cantor famoso”.
Sandra Sá? Putz, não, Roberta é branca. Pensei nisso pq, diferente das nossas cantoras atuais de
mpb, ela tinha muita técnica vocal, parece ter estudado muito (não que todas fidalgas tenham estudado muito), mas era técnico, nada nato. Não q isso seja ruim, pelo contrário, parabéns, a voz ta agradabilíssima e muito bem trabalhada. Estudou canto lírico, aposto.
Pra mim, fugiu disfarçadamente do estilo bossa. A voz meio
Fernanda Porto agora. Por umas duas músicas parecia
Demônios da Garoa carioca, o que era genial. Mas depois veio uma que parecia
Chico Buarque (
Fogo e Gasolina) – que a letra também me lembrou Águas de Março e Diariamente (
Marisa Monte). Ela morou fora e foi barwoman. Ah, então é a nova
CéU. Nossa, depois um pout-porri que quase me lembrou
Clara Nunes. Ela é simpática, apresenta certo humor para quebrar o clima formal, quase uma libriana.
Gostei, é esperta. Ela abriu um leque de vertentes, pode investir em qualquer um desses estilos de MPB ou ter esses todos mesmo. O show acabou e fomos fumar um cigarro antes do gig do Camelo. Ele pessoalmente é interessante, um partidão. Parece o marido de qualquer amiga minha, mas com um diferencial: vestia uma camisa linda (de modo impecável e, digamos, sexy), dessas q a gente sai na night qdo ta inspirado para conhecer o amor da vida. A barba tentava dizer: “é só pra mostrar q ando triste, sem amor, quer me conhecer? só quero ser amado”. Sentou sem olhar pra platéia. Ah, não me venha fazer esse tipo. Um péssimo ator tentando fazer o revoltadinho da FFLCH desligando o retorno. Não olhou pra platéia. Ele sabe que é bom, ele sabe que é alternativo, ele sabe que é esperado, ele sabe que a gente gosta dele; acho que se sentiu pressionado a fazer aquele tipo. Mas é péssimo ator, fez de propósito, dava pra ver. Fez outro teatrinho; logo, meu amigo perdeu a paciencia e quis ver qual era dos
Klaxons. Fui e deixei o Marcelo Camelo com o seu caetanovelosismo-precoce pra trás.
Uma chuva no caminho. Lá, no palco, parecia que tinham sorteado 3 frequentadores da VAI e colocaram ali. O som era estranho, não sei definir o que era. Era wannabe famoso, não wannabe
The Strokes,
Yelle, nada. Não parecia nada. Parecia algo primata, tipo, como se não existisse
rock e talvez só uma geração posterior descobriria. Não hesitei qdo meu amigo pediu pra retornar ao auditório do Camelo. Depois dos Klaxons, ficaria umas 5 horas naquela sala bonita com ar condicionado, sentado sem poder fumar e/ou beber.
E com prazer, Arnaldo Antunes entrou no mesmo instante. Não sei se minhas prediletas são as mais populares, mas tocou quase todas que eu queria. Apresentou 3 ou 4 cançoes novas q não cansavam, ta ótimo. E pronto, o TIM Festival fez sentido, Arnaldo Antunes carrega o festival nas costas. Pediram pra eu esperar o
Junior Boys e
MGMT antes de tirar qualquer conclusão. De qualquer forma, obrigado, Arnaldo, você foi a melhor atração do TIM.